"PERIGO, NÃO SE APROXIME!"
Diz a placa pendurada na porta do meu coração.
Não sei se o perigo vem de fora ou vem de dentro, não sei de verdade qual o medo da aproximação.
Talvez seja porque, não gosto de receber visita quando está tudo bagunçado.
Pode ser também, porque não gosto que ninguém desarrume o que levei um tempo para organizar.
E em meio a tanta indefinição, lá se vão algumas hipóteses, que podem por se só achar uma resposta definitiva.
Dizem que quem avisa amigo é. E a placa está lá.
Vai ver é pegadinha, pra ver quem é curioso e entra, peita tudo, dúvida muito e se aproxima sem medo.
Vai ver é pura chantagem emocional de quem quer um colo, um abraço, um afago e diz com todas as letras que não precisa.
Mas ela está lá.
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Extremamente
Quem vive de extremos, acaba vivendo de perdas, acaba vivendo de generalizações, acaba vivendo pela metade. Nem muito e nem tão pouco. Quem chegou aos extremos um dia vai saber, que nem muito e nem tão pouco. O que conforta mesmo é viver no equilíbrio.
Quem amou muito, de força exagerada, beirou a doença da obsessão sabe o que perdeu, sabe o que realmente não viveu. Quem nunca amou, que se privou disso o tempo inteiro, também sabe o que perdeu e vai saber realmente o que deixou de viver. Já quem amou, simplesmente amou, sem se importar com o que vinha, com o que ia, quem soube moderar a dose, quem soube tatear os sentimentos e se doar, encontrou ali o equilíbrio.
É bem verdade que o extremo cega, bloqueia. Essa história de 8 ou 80 a gente perde ai 72 números que podem ser interessantes, que podem somar, dividir, multiplicar ou subtrair. Quem vive de extremos também fica surdo, fica mudo, perde o passo, tropeça muito.
Mas também é bem verdade que temos que passar por eles, temos que extremar as coisas, experimentar os pólos, para que assim possamos filtrar o que nos apetece e pisar firme na corda bamba, sem cambalear, ir em frente encontrando o equilíbrio.
Afinal até os extremos têm seu lado positivo, seria exagerado demais anular isso, seria pensar de forma extrema!
Fico por aqui.
terça-feira, 13 de novembro de 2012
Traída pela lucidez!
Não, hoje eu não vou dormir angustiada.
Há dias que essa história se repete, e eu aceito. Há dias que tudo vem conspirando e eu aceitando. Agora vivo sonhando com violência, é tiro pra tudo quanto é lado. Enquanto for sonho tá bom, tá ótimo, só não me roubem a vida. Vida?
E virou moda, a onda agora é o Tsunami da Violência. Acompanhamos nos telejornais a rivalidade entre duas instâncias que por si só se destroem. Policia corrompida, já não se sabe mais o preço que se paga pela segurança. Drogas, tida como o principal motivo. E quem o tempo inteiro nos bombardeia é a mídia, sempre tendenciosa, sempre vestida de sangue, faz jorrar aqui na sala. Não suporto mais, e me pergunto: Até quando? Será que tem jeito?
Me questiono o tempo inteiro se não acontece ao nosso redor nenhuma coisa boa em nenhum instante, deve haver, claro que há. Mas não vende, não é a melhor mercadoria a transitar na mídia. Produto bom é o sangue mesmo. De preferencia do Preto da Periferia. Feria!
E esse aperto no meu peito que só grita: "FAZ ALGUMA COISA SARA!"- Mas sozinha não dá. Por onde começar?
E minha cabeça que não pára, e uma voz que se repete: "ISSO NÃO TEM MAIS JEITO, TÁ FORA DE CONTROLE."
E mais uma vez, volta a angústia arrependida por não me acalentar.
Olho em volta e vejo pessoas intolerantes, pomposas e reclusas no seu próprio mundinho mesquinho, entre Ipods e Ipads, viva a mãe tecnologia que nos engole de volta ao seu útero E já não se pede mais nada, já não se doa mais coisa alguma. O que nos tornamos ninguém nunca vai conseguir nos explicar.
Crianças criadas sem limites, adultos apodrecidos amanhã serão. As redes sociais nos fazendo acreditar na proximidade, na facilidade - Pura mentira. A mídia nos sufoca com informações, rasas, vazias, sem fundamento (Com qual intenção?). Já se mata sem motivos e para amar é preciso mil razões. Se excluem por tão pouco. Se expõem por muito menos. E o que nos diferencia dos animais irracionais são somente as 4 patas. Pais esquecem filhos. Netos roubam avós. Engravidar aos 12 anos é normal. O importante é noticiar por minuto o que se faz e esconder de todo mundo o que se é. Ficamos presos a uma caixa, uma tela, onde o mais importante é falar sobre algo e fazer nada sobre isso.
As configurações mudaram e muita coisa se perdeu. E o que mais eu vou ter que perder pra entender que não é assim que eu quero viver? Perder a vida?
O peito aperta e é hora de tomar decisões e em momento algum me excluo de tudo isso, tô aí, tô mergulhada, imersa, mas não é bem isso que eu quero.
Quero desligar a TV e não ser influenciável. Quero tirar minhas próprias conclusões. Quero pensar por mim mesma. Quero escolher o que comer, sem pensar se vou engordar. Quero ajudar ao próximo, sem pensar em quando ele vai me retribuir. Quero amar as pessoas, sem esperar elas falharem. Quero acreditar que ainda existem pessoas bondosas, sem achar que a eleição tá chegando ou que terei que pagar por isso. Quero viver ao lado de quem eu amo, sem precisar cutucar ela pra ela lembrar que eu existo. E enquanto for possível realizar esses pequenos atos que daqui pra frente serão esquecidos, eu só quero escolher por eles.
Perdoar, ler um bom livro, rir de um bom filme, ver o pôr do sol, tomar banho de mar, sentir o vento no rosto, perder tempo jogando conversa fora, andar sem pressa, cantar no chuveiro, tomar banho de chuva, deixar o cabelo bagunçado, olhar nos olhos, sorrir sem culpa, recomeçar, molhar o pé no mar, comer pipoca, agradecer, ter fé, orar, abraçar, sentir, cogitar, preguiçar... Quero tudo de volta, quero agora, quero já.
Posso estar delirando, posso tá sonhando, vivendo uma ligeira utopia, mas por favor: NÃO ME ACORDEM! Não quero e nem preciso.
Ainda namorando a angústia e cheia de incertezas, fico por aqui!
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