segunda-feira, 14 de setembro de 2015

De amores em amores partidos.



De amores em amores partidos, construí o maior e mais forte de todos. Se antes eu dizia não ter sorte no amor, hoje descobri que na verdade não era questão de sorte e sim de péssimas escolhas.
Jamais você será capaz de encontrar alguém especial se você não se vê como alguém especial. Ou poderá até encontrar, mas o colocará num local de superioridade e os melhores relacionamentos são aqueles construídos olho no olho.
De amores em amores partidos, percebi que estava me negando relacionamentos saudáveis, por não me achar merecedora deles. Mas eu sou, você é, todo mundo é merecedor. Mas que tipo de amor você tem nutrido dentro de você? É importante refletir, pois é o tipo de amor que você acredita que merece receber.
De amores em amores partidos, refleti que na verdade o que realmente faltava, era um amor sincero, um amor fiel de mim por mim mesma. E se eu não fosse capaz de nutrir esse tipo de amor por mim mesma, ninguém mais seria. Parece clichê eu sei, mas é a mais pura verdade.
Agora não quero nada menos que pessoas dispostas e disponíveis, que demonstrem interesse, que mesmo com todos os medos e desapontamentos, escolham ficar. Quero não precisar me preocupar com medidas, quero poder demonstrar o que pulsa aqui dentro. Quero reciprocidade e a vontade louca de dividir meu mundo, que é tão louco e colorido. 
Não quero minha cara metade, tampa da panela, nem chinelo velho. Não quero ninguém para me completar. Completa eu já tenho que estar, porquê quando a pessoa "certa" chegar, não seremos metades sedentas, não seremos dependentes. Seremos apenas a soma de algo muito bom, que já vem dando certo sozinho. 


domingo, 6 de setembro de 2015

Quando me vi negra!





Lembro-me com clareza quando a irmã de uma amiga minha, em uma de nossas conversas de ideologia, me relatou em tom de lamentação e revolta sobre o racismo que ela enfrentava na nossa cidade (Lê-se Salvador, onde a população em sua maioria é negra).
Lembro-me também que rebati o discurso dela dizendo que não via as coisas naquela dimensão e que racismo ia muito mais da forma que a gente enfrentava tudo aquilo. Eu estava enganada.
Em dezembro de 2013 decidi parar com a química (nos cabelos). Essa decisão veio após muitas tentativas frustradas, incontáveis tentativas frustradas. Eu ouvia coisas abomináveis quando anunciava que ia parar com a química, mas os meus ouvidos acostumados com discursos racistas implantados, jamais notou a gravidade de cada frase dita a mim, naquela época.
Depois que resolvi enfim assumir meu cabelo, fui percebendo com o passar do tempo, que eu não estava somente assumindo a minha raiz crespa, mas uma história pesada de ser sentinda e que eu iria sentir na pele, literalmente.
Quando eu usava os cabelos alisados, não tinha olhos atentos a essa dimensão de rebate a cor negra. E após ter assumido meu cabelo crespo e ter de enfrentar diariamente racismo explícito e velado, me perguntei: "Então é isso? Então é isso que é ser negro? Eu sou negra então?"
E me vi ali, apesar de assustada, acolhida pela minha identidade negada. E me perguntei mais: " Será que é por isso então, que muit@s menin@s, sofrem oprimid@s e pres@s a química por medo de tudo que podem enfrentar socialmente, caso se assumam? " - E fiquei inquieta. Como estou e prossigo até hoje. Essas pessoas precisam de libertação. Não digo com isso que não possam alisar seus cabelos, que não possam mudar a estrutura do seu fio, mas desde que esteja claro, que o caminho do alisamento inicialmente é um caminho do embranquecimento, da desvalorização e do desrespeito a nossa beleza natural.
O racismo existe, e isso jamais findará. Eu não acredito no fim do racismo. Porque o ser humano é em sua maioria pequeno, medíocre e está preso a coisas tão pequenas e banais, como cor de pele, estatura física, condição sexual, posição social, que se esquecem do que é essencial, da riqueza que cada um carrega por dentro. Jamais vou entender e conseguir acompanhar o pensamento de um racista, e também não quero.
Mas ser negra para mim é uma honra. Hoje me sinto forte. Me sinto amada. Me sinto vista. E por mais que meu estômago embrulhe cada vez que ouço abominações racistas (consciente ou inconscientemente), eu não trocaria a minha identidade por nada nesse mundo. Não trocaria o meu cabelo crespo por nada nesse mundo. Se ser negro é ter que enfrentar tudo isso, não estou pronta, ninguém está pronto para lidar diariamente com a violência, mas estou aqui, estou firme e assim seguirei, porque negro é fortaleza, sempre foi.


quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Feliz dia do "Aaaah, você cuida de maluco!"


Fonte da imagem: https://catracalivre.com.br/geral/web-educacao/indicacao/universidades-oferecem-aulas-online-gratuitas-de-psicologia/

Aquela profissão que cuida de maluco, que dá conselhos, lê búzios e tarô e traz seu amor em apenas três dias. Aquela profissão que seus pais ficam preocupados se você terá o que comer após a formatura. Aquela profissão que não serve para muita coisa, a não ser para RH. Aquela profissão que corta o clima de qualquer mesa de bar, porque sempre vai ter alguém querendo se consultar. Aquela profissão que carrega estigmas sociais e tem sempre alguém, que não faz a menor ideia do que é a Psicologia, achando que sabe exatamente tudo sobre ela.
Claro, pode pegar seus 150,00 reais de uma consulta e gastar com roupas novas (Direta para uma piadinha sem graça, que circula nas redes sociais). Poupe o tempo de um psicólogo, porque se você tem esse vago conceito sobre essa profissão, evidentemente não estará disposto a enfrentar os desconfortos e mudanças internas que a Psicologia proporciona. E se tratando de psicoterapia, precisamos de clientes implicados. Fora isso amado, poupe o nosso precioso tempo.
Temos carga horária tão similar ao curso de medicina. Enfrentamos um curso denso, que mexe com todas as áreas de nossas vidas. Jamais quem chega na Psi, sai da mesma forma que entrou. Você pode não ganhar dinheiro com ela, mas o que você ganhou nesse percurso, nenhum dinheiro poderá pagar. Sua visão crítica se amplia, o Outro passa a existir e você começa a entender que termos como: "resignificação", "resiliência", " humanização" "impulsionamento", "interdisciplinaridade" fazem toda diferença.
Hoje é o nosso dia, dia dos impulsionadores de vida, seja na Escola, no Esporte, na Clínica, no Hospital, na Comunidade, na Jurisdição, nas Empresas e onde uma porta se abrir. Porque a Psicologia é isso, é tão flexível e acolhedora que cabe em tudo.
Feliz dia da profissão mais complexa de todas, até porque lidar com o que é Humano é isso, complexidade pura.


sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Respeite o fim!

Fonte da imagem: http://ninhodemafagafas.com/2013/08/03/super-bonder-cura-um-coracao-partido/



Relacionamentos findam, isso é fato. Com esse fim, se finalizam também projetos futuros, alguns suspiros, parte do amor e até mesmo o respeito. 
Os planos feito em dupla, dão lugar à um vazio imenso e o frio na barriga não passa de ansiedade e medo da solidão. Há medo da troca, há medo de quem ocupará o seu lugar e as coisas se embaralham. No lugar do amor voraz, desapontamento, dor e até ódio. 
Mas em tempos de redes sociais tudo acontece muito rapidamente, aliás, parece mesmo uma regra para se manter lá. E da mesma forma que os relacionamentos "duradouros" brotam como afronta aos que não colecionam muitas curtidas e não têm uma vida badalada, eles se findam, pois foram construídos por diversos motivos, menos com a intenção de descobrir o verdadeiro amor com paciência e coragem. 
E lá vamos nós para as superações mais rápidas em troca de likes, em troca de uma conexão com a visão do outro. E lá vamos nós para as postagens de felicidade exagerada, para as baladas mais animadas, saídas fascinantes e o "Olha só como me basto!"
E de que valeu? E qual foi o real sentido do começo? Isso tudo para provar pra quem? 
E quando se pega só, naquela imensidão de sentimentos frouxos e vazios, sabe-se bem que a felicidade exagerada não passa de uma fantasia, de uma dívida com quem o acompanha nas redes sociais, mas de contra partida, uma puta falta de respeito consigo mesmo. 
Não precisa explanar a fossa e nem deixar se enterrar por um fim, porque não acabou ali, você e a vida continuam. Porém saiba que essa felicidade excessiva e falsa é uma afronta, mas é uma afronta baixa à você mesmo. 
Respeite o fim! 

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Olhos de ódio e desejo.




"Mas eu te amo!" - E havia pesar e lágrimas enquanto dizia aquilo. Foi aí que eu entendi que a nossa aventura e a nossa combinação de descobrir talvez, uma maneira cheia de adrenalinas e desejos, para um sexo casual, tinha ido por água abaixo.
Tentei pensar numa maneira seca e objetiva de falar, eu precisava explicar pra ela que para mim aquilo não passava de uma aventura de adolescente, onde lá na frente eu contaria para minhas amigas, embora coberta de pudor, o quanto foi legal e divertido ter tido uma relação homoafetiva, o quanto eu era descolada na adolescência a ponto de topar um sexo casual com a minha amiga. Mas era tarde demais e ela estava ali, apaixonada, aos prantos e eu não sabia o que fazer.
Mulheres são cruéis demais quando se trata de um drama, e eu bem sabia disso. Não ia cair, não podia ceder.
-Você me ama como amiga, eu sei disso. Nada precisa mudar entre nós de agora em diante! - Tentei uma forma que não parecesse debochado, mas lá no fundo eu sabia que havia descaso em minhas palavras e eu estava pouco me lixando para o que ela sentia.
-Não Dani, eu te amo. Amo com amor de paixão, de desejo, de querer todos os dias, de não viver sem. Eu te amo Dani, entenda isso.
-Eu sabia que não daria certo, sabia que você não administraria muito bem tudo isso, porque você nunca soube administrar nada direito em sua vida, não é mesmo? - Quis ofender, ferir, queria que ela me odiasse. Preferia o desprezo dela, do que um amor não correspondido. E meu ego estava ali, inflado e gostando de tudo aquilo.
-Como pode ser tão fria? Então quer dizer que do nada eu não sirvo mais para você?
Aplaudindo o que ela acabara de dizer, disse aos berros: - Sabia que você entenderia, ACABOU! ESSA BRINCADEIRA ACABOU!
Catei a bolsa desajeitadamente, não sabia muito bem o que aconteceria depois, mas a única certeza que eu tinha era que aquilo não podia continuar. Talvez eu me arrependesse lá na frente, talvez as coisas se resolvessem de outra maneira, talvez eu não tivesse medido as consequências daquilo tudo... talvez. Mas enquanto isso, eu partia, sendo acompanhada por aqueles olhos molhados de ódio e desejo.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Tem gente que é igual a cisco!

http://ibliberdade.com.br/wp-content/uploads/2011/11/cisco-no-olho.jpg

Tem gente que é igual a cisco. Isso mesmo, tem gente que é igual a cisco, poeira. Tem gente que é assim, inoportuna, chega quando a gente menos espera, atrapalha a nossa visão sobre as coisas. Tem gente que é assim, provoca uma agonia enorme, deixa a gente afoito, querendo enxergar as coisas melhor, mas a gente não consegue abrir direito os olhos. Tem gente que é assim e incomoda tanto que faz a gente até chorar sem querer. Provoca aflição, a ponto até de precisarmos de outra pessoa para nos segurar firme e falar:"Fica calmo, vou tirar isso daí!" e vai lá e assopra para aliviar a aflição.
É dessas pessoas que temos que passar longe, pessoas que esperam só um momento de distração nossa para embaçar a nossa visão. Pessoas que aproveitam um momento de fraqueza para ir lá e incomodar a gente, deixar a gente embaraçada, fazer a gente estagnar. Tem gente, que por mais que a gente não queira aceitar é igual a cisco.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

QUEM VAI OU FICA!

Fonte da Imagem: http://na-tpm.blogspot.com.br/


Certificou-se que ele ainda permanecia dormindo, levantou-se cautelosamente da cama, procurou com o olhar por onde estavam as suas roupas. Num cuidado absoluto, amante do silêncio, caminhou pelo quarto arrecadando suas peças, se policiando para não estragar tudo. Caminhou na ponta dos pés até o banheiro, abriu a torneira vagarosamente, não queria barulho, só um pouco d'água no rosto e bastava. Se vestiu, ajeitou o cabelo, aproveitou-se do enxaguante bucal, sorriu para si mesma no espelho e sussurrou baixinho: "Precisamos ir!"
Já pronta, parou na porta do quarto e observou aquele corpo preenchido de músculos, bronze e todas as gostosuras e travessuras de um Halloween fora de época. Observou quase dois metros de um corpo quente, totalmente relaxado, seu rosto marcante, parecia que havia sido pintado à dedos, com a maior delicadeza e capricho.
Certa de que não poderia ficar, certa de que não seria justo com os dois, buscou com o olhar a chave da porta. Caçou cada milímetro da sala, decidindo então procurar no quarto, mas claro, cuidadosamente. Virou, mexeu, até que descobriu na carteira dele a sua identidade, surpreendendo-se como o nome combinava com a figura física e recriminando-se por não se lembrar detalhes do noite anterior. 
Chaves na mão, achadas no bolso da bermuda jogada no chão, pensou mais uma vez se era o que queria - partir sem ao menos um adeus. Lembrou-se que havia deixado com ele o seu número de telefone, mas certamente o bloquearia. 
Abriu a porta lentamente, estragaria tudo qualquer barulho, estragaria seus planos se ele de repente acordasse. Na dúvida se deixaria um bilhete ou não, apenas usou o velho batom de guerra e escreveu no espelho box do banheiro: "Foi bom, obrigada!" - Talvez fosse vista como seca demais em suas palavras, até fria e calculista. Mas havia se tornado assim, quando descobriu que podia escolher sozinha, quem em sua vida, vai ou fica.


segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Uma cartinha para Deus

Fonte da imagem: http://www.falandodefeiras.info/2013/04/salao-gospel-2013-tera-palestra-com.html
Querido Deus,

Espero que consiga ler essa cartinha, como tem conseguido até hoje me ouvir e responder a todos os meus questionamentos. Tenho andado tão desacreditada da humanidade, por mais que saiba que eu não tenho esse direito. Mas as pessoas estão se tornando cada vez mais desumanas, egoístas e mesquinhas. Onde estamos errando?
Sabe Deus, sei que é capaz, como vem sendo capaz até hoje. Então perdoa essas pessoas que duvidam da sua existência, por simplesmente fecharem a mente e o coração para viver experiências verdadeiras e maravilhosas através de uma relação verdadeira com você. Perdoa essas pessoas que lhe culpam das desgraças que acontecem no mundo, pois não entendem que somos nós os responsáveis pelas escolhas terrenas e nossa forma de reger a vida. Perdoa também àqueles que justificam suas falhas e péssimos hábitos colocando a culpa em você ou no diabo. E além de tudo querido pai, ensina com amor à essas pessoas o quanto elas andam distantes de Ti.
Eu te admiro tanto Deus, pois mesmo vendo como somos rasteiros, injustos e indignos, continua nos amando, nos aprovando e nos proporcionando sempre as melhores coisas. E como somos tolos Deus, quando lhe culpamos por não enxergarmos tamanha maravilha. 
Gostaria muito que as pessoas tivessem uma ótica mais aberta, entendessem que a imagem que passam por aí do que você é, não passa de uma coerção social. Gostaria tanto Deus, que as pessoas te conhecessem como você realmente é: simples, humano, acessível, colaborador, pai, amigo, amor e essência. Gostaria também que as pessoas entendessem que a punição é ideologia humana, que a história de ir pro inferno é puro controle social, e que estar com você e ser seu é um dos melhores presentes que podemos ter aqui na Terra.
Ah meu paizinho, só te peço forças para continuar a minha missão, que no começo me parece enorme para mim que sou tão pequena e despreparada ainda. Mas lhe peço sabedoria, paciência e discernimento para não me aborrecer com aquelas pessoas que ainda são ignorantes e não entendem que existem outros planos, outras realidades e outros propósitos. 
Querido Deus, só para finalizar - sabendo que já pedi demais - lhe peço que continuemos assim, com essa relação de amor e amizade, prosseguindo nessa intimidade que só a gente é capaz de entender.
Um dia quero saber dar amor e perdão, como você.
Com o mesmo amor de sempre,
Sara Dias. 

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Coração fora do corpo...

Fonte da imagem:http://umabelamentira.blogspot.com.br/2011_04_01_archive.html



É que na verdade a gente tem que viver com o coração sempre fora do corpo. Isso implica em sermos intensos em tudo que fizermos, em colocar amor em tudo que fizermos e em tudo o que encontarmos em nosso caminho. Isso é viver com o coração para fora do corpo, ali exposto, correndo o risco de alguém roubar, arranhar, tombar nele, derrubar e até quebrar. Mas é o risco que se corre em viver assim. 
A vida exige de nós intensidade. Exige o presente, exige ser presente, exige o agora. A vida detesta comida requentada, planos adiados, deixar pras segundas feiras. Porque a gente sempre acaba adiando os pedaços. E de pedaços em pedaços perdemos partes inteiras pelo caminho.
Adiamos encontros, cursos, cantos, planos, histórias, amores, perdões. Adiamos afeto, abraços, sambas e canções. Adiamos a vida por cada dia, arrastamos momentos e sobrevivemos ao invés de viver. E tudo isso porque planejamos e almejamos ser felizes, mas lá na frente, naquele futuro que sentamos e perdemos tempo planejando, planejando, planejando sem ações.
Por isso a vida exige de nós que vivamos com o coração sempre fora do corpo. Porque é esse o sentindo da vida: dividir, sentir, se expor e ser. E quem não vive assim, talvez dure um pouco mais, mas não sabe a delicia de marcar e ser marcado, não conhece a delícia da troca, não reconhece sequer o real motivo de sua existência.
É por isso que esse ano eu decidi seguir as exigências da vida e viver com o coração para fora do corpo. Meu coração é o mundo, ele é do mundo, o mundo sou eu, somos nós. Vamos viver de amor e intensidade, pois o tempo jamais esperou por quem tem medo. 
Fico por aqui!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

"Mãe...eu sou gay!"

Fonte da imagem: http://tua-mae.tumblr.com/

E eu fiquei ali, perplexa. E aquele olhar curioso, de quem esperava ao menos uma palavra, fosse ela um xingamento ou uma palavra de conforto, em mim se fixava. Mas é que eu não sabia o que falar, a ficha ainda não tinha caído. Não que eu fosse preconceituosa, até tinha amigos gays, conhecia muitos. Mas...Mas meu filho não. Não era possível que eu tivesse errado tanto. E o que as pessoas pensariam dele? E o que as pessoas pensariam de mim? Iam comentar aos quatro cantos que fiz vontade, que dei de tudo, que mimei demais e por isso ele virou o que é. Iam rir dele, de mim e da nossa família. Eu não teria netos e não sei se suportaria vê-lo casado com outro homem. 
Respirei fundo, abaixei a cabeça, passei a mão pela testa molhada de suor frio. As minhas mãos tremiam e a minha cabeça borbulhava. Dizem por aí que mãe sempre sabe, mas eu não sabia, por quê? Será que eu era uma péssima mãe? Deus não me perdoaria. 
Olhei para ele ali em minha frente, tão homem e tão corajoso. Havia compartilhado a coisa mais preciosa da sua vida. Algo que ele vinha guardando com tanto zelo e medo. E eu não tinha o que falar. Eu estava sendo egoísta, estava me comportando como todos os outros. Estava aumentando a distância que por si só se construiria entre nós, quando ele saísse de casa e fosse morar só e ter uma família. Eu estava sendo compreensivelmente...Patética. 
Olha só, olha pra ele, nada mudou. Continuo aqui, o amando, o admirando, e meu coração ferve de amor ao ver aqueles olhos que muito me lembram os meus e a minha juventude. Eu não podia fazer isso com nós dois. Não podia deixa-lo tão aflito. Eu precisava ser realista. Eu devia a ele a mesma honestidade e coragem. Levantei a minha cabeça, me virei pra ele no sofá, peguei a sua mão...E olhando firme em seus olhos, lhe falei:
"- Me desculpe por não compreender ainda pelo que você passa. Me desculpe se prolonguei o silêncio fazendo a sua ansiedade e medo ser um pouco maior do que já era. Você me falar que é gay, é o mesmo que você me falar o seu nome, nada muda. O meu amor e admiração, nada muda. O seu caráter e a sua forma de levar a vida, nada muda. Eu continuo sendo a sua mãe, eu continuarei aqui. Isso não é uma escolha, e eu ainda não entendo o que é. Mas se foi a maneira que você conseguiu ser você no mundo e ser feliz, eu fico feliz também. Obrigada por se dividir comigo, obrigada por ser sempre esse filho amado e querido. "
Nos abraçamos com a intensidade de nossos sentimentos daquele momento. Choramos muito. Ele de felicidade e alívio e eu de orgulho. Eu não deveria me preocupar com o que os outros pensariam. Formei um homem, um homem forte e de um caráter ímpar. Um dos homens mais corajosos que já conheci. Aceitou desde muito cedo caber em si e ser feliz assim, da maneira que lhe coube bem. E eu, apesar do medo do sofrimento que ele poderia ter, me vi ali, aprendendo com alguém que havia vivido muito menos que eu. 

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Aquele negócio no estômago!



Sei lá, é que você me dá aquele negócio no estômago. Aquele negócio que não é enjoo, nem fome. É aquele frio, quase pertinho do Pólo Norte, aquela tremidinha dos Terremotos do Japão. E toda vez parece ser a primeira e eu ainda não acostumei.
Sei lá, é que toda vez que você passa eu tento de forma tola e desconsertada, fingir que sou normal e sociável. E que não sinto aquele frio que não é fome, nem enjoo. E se fosse, seria até algo melhor.
Sei lá, é que cada vez que você me dá um "tchauzinho" de longe, eu desejo que você me dê um "oi" de tão perto que me faça parecer pateta sem saber o que vou responder. E sei lá, mas acho que não queria sentir nada disso que eu sinto, mas sinto muito.
Sei lá, é que fico imaginando como deve ser a sua voz e a sua gargalhada quando um dia, se por acaso, eu tiver a oportunidade de comentar sobre a inveja que tenho do seu cabelo mais volumoso que o meu. E eu fico aqui pensando se prolongaríamos o assunto ou seria somente mais um papo frouxo para não nos desapontarmos assim de cara. E eu fico aqui torcendo: "Não me desaponte!".
Sei lá, é que talvez isso não dê em nada. Talvez eu nunca receba seu "oi" ou te faça dar gargalhadas, mas eu fico aqui... E continuo aqui... Sentindo aquele negócio no estômago que não é forme e nem enjoo.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Meu melhor amor!




E eu fiquei ali, imóvel, por mais ou menos 20 ou 30 segundos. Não sei precisar. É que beijo é algo íntimo e por mais que pareça que não, a troca acaba sendo coisa de alma. E quando a gente percebe, alguém levou um pouco da nossa e deixou parte da dela. E foi o que ele fez. Não esperou nem eu terminar de falar, não esperou eu completar a frase. E ia ser a frase mais clichê que eu iria dizer e ele ouvir. Eu sem dúvidas repetiria o velho jargão que essa história de misturar as coisas não daria certo, que eu só o via como amigo e nada mais que isso e que a gente ia acabar se machucando.
E as palavras, aquelas que eu estava ensaiando mentalmente enquanto ele me dizia o quanto estava apaixonado e que não me via somente como amiga...E as palavras...E as palavras? É...uma boa pergunta. Ele me olhou sorrindo, de um jeito convencido, como se já soubesse o bem que me causava. Um misto de raiva e desejo me consumia. Como ele podia ser tão convencido daquela maneira? Como podia me deixar desconsertada daquele jeito? E a sensação que eu tinha, é que havia acabado de conhecê-lo, apesar de anos da nossa amizade.
- Não vai me dizer nada? - Perguntou curioso e risonho.
- Por quanto tempo você acha que duraria a nossa amizade? - Perguntei
- Achei que você já soubesse. Se depender de mim a vida inteira! - Respondeu me passando a maior certeza em cada uma de suas palavras.
Eu não tinha mais o que questionar. E ali eu vi que a única coisa que eu podia fazer era agradecer, por ter - sem muito trabalho - encontrado em uma única pessoa o meu melhor amor e o meu melhor amigo.
Ele me abraçou, com o abraço de amor e não de amigo e da mesma forma de sempre eu pensei: É aqui que pro resto da vida eu quero ficar.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Errar é humano, mas persistir no erro é perda de tempo.



Eu já magoei muita gente, já fui fria e calculista em minhas palavras, já falei com a intenção exclusiva de ferir. Eu já fui cruel em não perdoar, já deixei as oportunidades passarem por puro orgulho. Já fingi não me importar e jamais voltei atrás na minha posição radical. Já fiquei sem falar e até já exclui da minha vida. Já desejei o mal na hora da raiva intensa, já desejei a morte e já desejei matar. E não teria porque esconder nada disso, porque somos isso, somos humanos, somos um quebra cabeças cheio de falhas e peças que jamais se encaixarão. 
E o melhor de tudo é reconhecer isso, assumir que errou, enxergar de fato como você é, ali com todas as suas variáveis, pois esse será o primeiro e grande passo para futuras mudanças. Assumir que errou, assumir que tem defeitos, não faz de você uma pessoa má, faz de você uma pessoa atenta e aberta a seguir um caminho novo e muito melhor. 
A gente se encontra ali, envolvidos em culpa, erros e mágoas. Mas é preciso aceitar que os erros nos ensinam muito, inclusive a buscar ser o melhor sempre. Não por ninguém, não pelos outros, mas por nós mesmos. E o tempo passa e a gente entende que o caminho não é bem aquele. A gente entende que a bagagem está pesada demais para sair arrastando por aí. E então cabe a gente buscar a evolução, a melhora, o perdão. Não somente dos outros, mas principalmente o nosso perdão. 
Exigem de nós a perfeição o tempo inteiro, seja lá em qual área for. E lá estamos nós, mergulhados em angústias por nunca atingir esse estado tão imposto. Mas a vida é isso meu caro, imperfeita, rebocada, reformada. Não se cobre a perfeição, não se cobre nunca errar, não se cobre ser melhor que os outros. Mas se permita aprender com seus erros, se permita caber em suas expectativas e acima de tudo se permita superar somente a você mesmo. E a partir disso, você será melhor sim,  não mais que os outros e sim  melhor para você, o que respingará no mundo ao seu redor. 
O que fomos no passado só deverá refletir em quem somos no futuro, quando for algo que nos traga ganhos e crescimento, de resto...Quem precisa de resto para viver, não é mesmo?! Então, pega tudo aquilo que te amarra, toda âncora que te prende ao passado e simplesmente se desfaz dela. E então saberá que não há sensação melhor do que ser você mesmo e conviver com você, seus defeitos, erros e virtudes.  
Errar é humano, mas persistir no erro é perda de tempo.
Fico por aqui!!

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Mais um clichê!



Enfim casa. Essa história de trabalhar viajando nunca me encantou. Mas vez ou outra era necessário e eu não poderia negar um cachê a mais. Sempre que eu ia ficava doida pra voltar; Ter de volta meu lar, meu aconchego e meu marido.
Porta destrancada, cheirinho de intimidade, malas no chão e lá estava eu no meu lar doce lar.
"Chegueeei! Tem alguém aí?" - Perguntei em tom de brincadeira, havia chegado antes do dia, adoro fazer surpresas.
O silêncio ocupava a sala, roupas espalhadas pelo chão faziam uma trilha que me levava até o quarto. Acompanhei com o olhar, e quis ser a pessoa mais inocente naquele momento. Não acreditei que ele havia bagunçado a casa inteira daquele jeito em apenas dois dias. Mas foi muito além disso, ele havia bagunçado a casa inteira e também meu coração, pensamentos e a minha vida.
Segui a trilha em silêncio, a porta do quarto entre aberta, no som a nossa música tocava, ouvi gemidos abafados, pernas entrelaçadas. Gelei. Voltei de ponta de pé pra sala, tampei a boca do grito feroz que eu queria ter largado. Meu corpo perdeu o controle. Fui até a cozinha, pensei na faca, mas não sabia quem eu mataria primeiro. Precisava me acalmar, não sabia o que fazer. Culpo a quem? Grito ou entro em silêncio? Armo um barraco ou banco a bem resolvida? O que eu faço?
E quando vi já estava lá, aplaudindo. Isso mesmo, eu aplaudi, aplaudi aquela palhaçada em minha cama, aquele cheiro de sexo em meu quarto e quando me dei conta quem era  a mulher que estava ao seu lado eu aplaudi mais ainda e ainda gritei: "BRAVO!".
Minha melhor amiga e meu marido, fazendo papel de vilões, bem ali na minha frente e eu expectadora patética e estática não sabia o que fazer. Não permiti que caísse uma lágrima, não permiti que me explicassem nada. Para aquilo não havia explicação, obviamente. Abri a porta do guarda roupas e os olhares me acompanhavam assustados, cobriam a nudez como se esse fosse o motivo da vergonha. Peguei aos montes os cabides que já tinham destino certo, a janela. Ele me dizia que podia explicar. Ela ainda ousava iniciar a frase me chamando de amiga. E eu fervia como bule que ecoa na cozinha assobios de desespero.
Até que explodi: "CALEM-SE! Nada que me digam vai explicar o que vocês dois fizeram. Absolutamente nada. Agora eu vou sair, preciso respirar e quando voltar quero a casa vazia, sem as suas coisas, sem nada que me lembre você. E você... - apontei pra ela - esqueça que um dia passou pela minha vida!"
Peguei a minha bolsa, atravessei a porta desejando atravessar um portal, pensando na faca que eu desisti de pegar e pensando no barraco que desisti de armar. Bati a porta com a força que eu gostaria de ter batido em cada um deles. Peguei meu celular e liguei para a única pessoa que naquele momento eu sabia que poderia me confortar. Aos prantos, quase sem saber como começar falei:
"Mãe... Estou indo até aí... Preciso de colo!"

domingo, 12 de outubro de 2014

Querido Pedro...


Querido Pedro,

Há tempos que me dói esse seu olhar acostumado. Me dói não conversarmos mais como antes. Me dói nossos hábitos egoístas, nossas trocas de farpas e nossa falta de paciência. Dói demais não ver desejo em seu olhar e em suas palavras.
Há tempos que notei que o noticiário esportivo ganhou mais importância do que eu, do que nós e nossa vida a dois. Há tempos notei também que dormir se tornou muito mais interessante do que fazer sexo e que nosso sexo não passa de obrigações burocráticas de um casamento falido e sem amor.
Quando nos conhecemos, eu prometi a mim mesma que jamais cairíamos na rotina, nem quando as crianças chegassem, nem quando nos cansássemos da vida enfadonha de um casamento tradicional, cheio de altos e baixos. Mas ao longo do tempo, percebi que um casamento de sucesso, esses que a gente idealiza ainda na infância, não se pode construir sozinha. Um casamento é um patrimônio, e onde não há acordo, jamais haverá bons resultados.

Bom Pedro, não lhe escrevo para lhe culpar, mas para lhe dizer que venho refletindo muito no que a minha vida se tornou, venho refletindo nas escolhas que eu fiz e que por mais curioso que pareça, você continua sendo a melhor delas. Não foi por acaso que escolhi você, não foi por acaso que senti paz em seu sorriso, muito menos por acaso que quando a gente se beijou pela primeira vez, me deu vontade de permanecer ali pra sempre. 
Hoje fazem seis anos que decidimos dar um passo de maior responsabilidade, hoje completamos seis anos de união de papéis assinados e testemunhas nervosas como nós. Mas não completamos seis anos de corpos juntos, de corações companheiros e sentimentos cúmplices, o que é uma pena e foi pensando nisso, em como nos perdemos, que resolvi nos buscar. 
Hoje você não vai me encontrar em casa, com o olhar e corpos cansados preparando a janta depois de um dia intenso de trabalho. Hoje eu estarei no mesmo lugar que nos encontramos pela primeira vez, estarei aqui te esperando ansiosa, como no nosso primeiro encontro e aguardarei a sua chegada leve, sorridente e disposta como naquele dia. 
Querido Pedro, será que você aceitaria recomeçar?
Ass: Sua eterna e disposta Sandra.

domingo, 5 de outubro de 2014

"É... agora somos nós dois, agora somos um!"




Eu temia que esse dia chegasse, pois eu não saberia o que fazer, como realmente não soube. Sempre sonhei com a maternidade, mas na teoria as coisas com certeza eram mais práticas. Eu não tinha noção do tamanho da minha responsabilidade e a minha cabeça girava por dentro e por fora. Corri até a sala, minhas amigas esperavam ansiosas. Não consegui falar, não consegui dizer nada. Apenas sentei no sofá, pus as mãos no rosto, cobri o desespero que eu sentia com lágrimas.
"Deu positivo?" - Ouvi uma voz acolhedora e curiosa, mas eu não tinha voz pra responder. Em minha cabeça se passava tudo, inclusive meus planos de uma carreira promissora indo embora. Meu último ano na Faculdade, eu não teria tempo, não saberia administrar. Fraldas, choro, mamadeiras, leite, choro, sono, noites perdidas, choro, roupas, enxoval, sem saídas, dores, sem vida social e mais choro.
"Eu não sei o que fazer!" - E naquele momento de fato eu não queria saber.
"Tudo vai se ajeitar, estamos com você, esqueceu?" - Frase clichê que eu dispensava naquele momento. Mas fez efeito ouvir. 
Minha cabeça estava um turbilhão. Como pude deixar isso acontecer? Como não cuidei de mim? Como fui relapsa com meus planos e projetos? Como?
Respirei fundo, recuperei a compostura, eu tinha que encarar os fatos com mais maturidade, mesmo não sabendo como iria fazer aquilo. Listei três coisas emergentes que eu teria que fazer naquele momento.
1- Contar aos meus pais.
2- Contar ao pai.
3- Continuar vivendo.
E assim, enxuguei as minhas lágrimas, agradeci gentilmente ao apoio das minhas amigas, olhei com o maior afeto do mundo para a minha barriga que dali há uns tempos não seria mais chapada. Passei a mão nela e disse: "É... agora somos nós dois, agora somos um!". 

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

NÃO PODEMOS...

Fonte da imagem: http://www.chamaeleon.org.br/?p=415

Nascemos culpadas. Quando o médico descobre o sexo do bebê e diz a mãe da criança: "Parabéns, é uma menina!". Ali, naquele exato momento começa a culpa. Ali, naquele exato momento, toma vida a cabra que deve ficar presa porque os bodes estão soltos. É ali, que é reformulado todo o processo do que nos será ensinado e nos será mostrado o que NÃO PODEMOS FAZER. Não podemos andar sem camisa. Não podemos sentar com as pernas abertas porque somos mocinhas. Não podemos não querer ser mãe. Não podemos optar por ser solteira. Não podemos escolher com quem queremos fazer sexo. Não podemos ganhar mais pelo nosso trabalho. Não podemos usar roupas curtas. Não podemos falar alto. Não podemos xingar. Não podemos beber e fumar, simplesmente, sem nenhuma justificativa, NÃO PODEMOS. 
Não podemos inclusive, chegar a uma determinada idade sem ter um namorado/marido, mesmo que esse homem seja reflexo de uma sociedade fracassada e recheada de machismo. Mesmo que esse homem nos faça (apoiado por todo respaldo social) acreditar que sem ele não somos e jamais seremos alguma coisa. Mesmo que esse homem mine a cada dia a nossa auto estima devido a sua falta de auto confiança. Mesmo que esse homem grite, nos xingue e nos bata. Lembre-se sempre, você só é uma MULHER se você estiver com um homem ao lado, tiver filhos, lavar e passar, saber cozinhar e acima de tudo, entender que para a sociedade você e somente você, será culpada por toda violência gerada contra você mesma. 
Entendeu?!
Não! Nunca entendi isso. A minha cabeça não consegue acompanhar os fatos. Eu não consigo entender e conceber as mulheres da minha geração aceitarem se submeter a certos moldes. Não entra em minha cabeça, mulheres com todo direito à independência, depender afetivamente de migalhas em uma relação. E jamais, irão me fazer mudar de ideia quando eu falo que a sociedade machista que estamos inseridas é a maior cúmplice de toda violência que presenciamos contra as mulheres. 
Ensinamos as nossas meninas, que para elas serem felizes elas precisam estar acompanhadas. Ensinamos as nossas meninas que caso elas sofram um estupro, elas que provocaram isso, pelo simples fato de terem nascido. Ensinamos as nossas meninas que o fato de ela apanhar de um cara, é a forma dele enxerga-la e dá atenção e amor a ela. Ensinamos as nossas meninas que quando um cara a ignora e a maltrata é porque ele a ama e só está fazendo tipo. Ensinamos as nossas meninas a serem vítimas, serem vítimas caladas. 
E eu me pergunto: Até quando? 
Meu coração hoje encontra-se inquieto, pequeno e apertado. 
Fico por aqui.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Até nunca mais...



"Você vai ficar bem?" - Me perguntou como quem esperava uma resposta afirmativa, no sentido de livrá-lo de qualquer culpa que pudesse carregar depois. Não menti, não podia. Eu sabia que não iria ficar bem, ainda com a cabeça baixa, respirei fundo, solucei enquanto enxugava as lágrimas e falei:
- Vou ficar! Mas não agora, no meu tempo. E no fundo sabemos que lá na frente você não significará mais nada, só será lembranças de uma experiência mal sucedida que eu jamais deveria ter começado.
E o silêncio se prolongou por alguns minutos. Eu sabia que lá no fundo o que eu queria era não ter aquela conversa, era não me sentir tão fragilizada, era não aturar ele se fazendo de bom moço preocupado.
Eu sempre soube que não suportaria uma traição, que não perdoaria, mas ainda o amava.
Passou um filme em flash em minha cabeça, desde o nosso primeiro encontro, olhar, abraços e beijos. Passou uma série de dúvidas também, como o que as pessoas iriam pensar se continuássemos juntos depois do que aconteceu. Passou ali, bem adiante, uma série de certezas: A primeira era que eu deveria escolher a forma que eu merecia ser tratada, a segunda era que pouco deveria me importar com a opinião dos outros e a terceira era que mesmo o amando, eu me amava muito mais.
Ali com aquelas certezas eu sequei as minhas lágrimas. Levaria um tempo para esquecê-lo, mas aquilo não me mataria, não me tiraria a vontade de continuar e muito menos me faria desacreditar totalmente no amor.
Levantei do sofá, ele sentado ao lado e em silêncio. Caminhei lentamente até a porta da casa, a abri escancaradamente. Ele me olhou assustado, como quem não acreditava no que via.
-Está vendo essa porta? Está vendo esse caminho? Grave o bem, pois por eles você jamais passará novamente. E isso não é um "adeus", é um "até nunca mais".
- Está me colocando pra fora? - Perguntou admirado, como se esperasse uma reconciliação.
-Sim, estou te colocando pra fora, da minha casa e da minha vida. - Fui firme, meu corpo inteiro tremia, mas estava orgulhosa de mim mesma e naquele momento, era amor o que eu sentia. Logo pensei: "Você é admirável!".
- Posso te ligar? - Falou em baixo tom enquanto se aproximava da porta.
- Acho que você não entendeu. A partir de hoje não temos mais porque nos falarmos.
-Mas...
Empurrei o lentamente para fora de casa e bati a porta. Corri para o sofá e abafei o grito com a almofada, chorei copiosamente, a cabeça queimava, o coração acelerado e a vontade de sumir. Mas eu queria sentir e precisava. Precisava processar aquilo tudo sozinha. Choraria um, dois e até três dias. Mas no quarto dia, logo pela manhã, já estaria nova em folha. Para continuar sendo livre, para continuar sendo eu e bancando as minhas decisões.
Fico por aqui,

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Querido futuro namorado...



Querido futuro namorado, 
Não espere de mim que eu te ligue mais de 3 vezes ao dia para saber onde você está e nem com quem você está, muito menos que eu te ligue, pois eu odeio telefonemas, mas conte comigo para saber como você está, a qualquer hora do dia. Conte comigo também para me falar sobre suas questões, medos e ansiedades do dia a dia. Conte comigo para uma palavra amiga e um abraço apertado quando você estiver cansado de tudo. 
Não espere de mim que eu torne a nossa relação a minha vida, pois a minha vida já vai existir quando você chegar e eu farei da nossa relação parte dela. Também não espere de mim aquelas tórridas discussões descabidas quando decidir um tempo só para você e seus amigos, quando precisar bater o bom e velho baba de sempre, desde que tope comigo as mais loucas aventuras que der na minha cabeça de sagitariana aventureira. 
Sinceramente, não espere homenagens rasgadas nas redes sociais, nem apelidos românticos, nem momentos casais de propaganda de margarina e nem momentos infantilóides com vozinha de criança. Acho ultrapassado, acho chato, acho alimentador de vergonha alheia. Mas saiba que eu demonstrarei do meu jeito meio sem jeito o quanto você é importante para mim, seja com um bombom e um bilhete esquecido em seu quarto, seja com um torpedo que te faça gargalhar quando você menos puder fazer isso ou seja num momento de liberdade total que eu resolva cantar uma canção que nem toca mais nas rádios. 
Além de tudo futuro namorado, não espere encontrar em mim a continuação da sua mãe, muito menos uma mulher que te dê ordens, que te diga o que fazer, que coloque seu almoço e recolha seu prato. Afinal eu também adoraria ter uma diarista ou secretária do lar. Mas conte comigo quando quiser testar receitinhas de programa de culinária, para cozinharmos juntos e descobrirmos talentos jamais explorados antes. 
E sabe de uma coisa futuro namorado? Eu, para falar a verdade não espero que você espere nada de mim. Não espero que entre nessa relação cheio de expectativas e moldes, isso irá desgastar nossas almas tentando nos colocar no lugar que outras pessoas um dia ocuparam. E isso eu acho extremamente injusto e cansativo.
Aliás, eu espero só que você chegue e que juntos possamos descobrir que o fato de sermos livres, é em algumas vezes, o mesmo que saber quando estamos muito bem acompanhados. 
É só isso que eu espero, futuro namorado.
Fico por aqui!

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Uma vida por mil LIKES!



Eu tenho uma grande preocupação com as redes sociais: a de me tornar uma pessoa patética. 
Noto a cada dia esse viral se alastrando, o "patetismo" contagiante que parece mais uma doença. Pessoas que o tempo inteiro querem ser o que não são, querem ter o que não tem e querem estar aonde não podem. Vivem de aparência, vivem da carência. E o pior, sobrevivem.
Vejo o tempo inteiro declarações vazias de afetos, só para mostrar o quanto é querido, o quanto quer o bem, o quanto está em paz. Mas lá, na vidinha real, a pessoa mal sabe expressar os sentimentos, mal sabe trocar afeto, mal sabe compartilhar os detalhes de sua vida e o pior a pessoa mal se conhece de verdade. Vejo casais de propagandas de margarina, vivendo uma felicidade fantasiosa, sendo perfeitos para um papel em uma novela. Mas na vida real eles mal trocam selinhos, não tem paciência para as dificuldades diárias e se tratam como pessoas descartáveis o tempo inteiro. 
Vejo pessoas extremamente felizes nas redes sociais, ao ponto de me questionar se a minha vida é normal ou medíocre demais para ser aceita em um site de relacionamentos. Vejo pessoas fazendo boas ações só para mostrar ao mundo virtual o quanto é "cult" e antenada, sendo que além disso só estão em busca de status. Vejo pessoas que precisam tanto de afeto e reconhecimentos, que ainda na cama de um hospital, tem a capacidade de postar uma foto para ganhar likes e afagos carregados de falsos sentimentalismos. 
Vivem como se um "se sentindo triste" fosse angariar sessões gratuitas e potentes de uma boa terapia. Vivem como se as indiretas fossem mais eficazes que uma boa e franca conversa. Vivem como se cada curtida fosse um: "Sim, você é aceito. Sim você vale muito." Mas não é bem por aí...
E isso tudo me preocupa, me preocupa muito. Até quando vamos viver deixando de viver? Até quando vamos deixar coisas por dizer? Até quando vamos suportar o peso de não ser quem somos?


Vejo, futuramente uma geração de pessoas de meia idade prostradas, que não saberão se olhar no olho e trocar afeto presencialmente. Que não saberão o valor de um abraço e uma ligação demorada ou uma visita inesperada. Vejo uma geração de pessoas de meia idade com L.E.R (Lesão por esforço repetitivo) precoce em seus dedos (mais especificamente polegares) e que jamais terão a oportunidade de saber o que é privacidade, o que é almoço em família e uma alimentação dissociada. Jamais terão o prazer de ter tempo e dar tempo ao outro. Jamais terão o prazer de curtir o momento, ao invés de se preocupar com inúmeras "selfies" e mil filtros. É... Essa farsa toda me preocupa.
Me preocupa porque eu faço parte dessa geração meio pateta, que me desculpem a expressão, mas estão se "imbecializando" mais e mais. E é através dessa preocupação que tenho buscado estar mais presente na vida das pessoas ao meu redor. E estar mais presente significa algo maior do que postar fotos e homenagens, do que marcar 49 amigos que mal sabem da sua vida, do que mostrar ao mundo o quanto você é artificialmente feliz. Porque felicidade mesmo é saber o limite de uma vida plena dentro e fora das redes sociais. Porque felicidade mesmo é você ser autêntico ao ponto de assumir a merda que é a sua vida e que para mudá-la você precisa começar de dentro, com você mesmo e não forjando para o mundo. 
Porque felicidade mesmo é o que acontece em off. 
Não me julguem mal, mas fico por aqui.